OS 8 PASSOS DE RAJA YOGA

Compilados pelo Maharishi Patanjali Sage no Yoga Sutras, os oito passos são uma série progressiva de etapas ou disciplinas que purificam o corpo e a mente, levando o yogui para a iluminação. Os oito passos são:

1. Yamas

Yamas são 5 orientações para o bom convívio em sociedade e consigo mesmo. Sâo pre-requisitos para o trabalho espiritual assim como os dez mandamentos do cristianismo. Hoje os principios éticos colocam limites à ação do nosso ego para podermos viver em sociedade. Para a experiência espiritual, esses limites são ainda mais restritos, pois se o ego ocupa toda a mente, não há espaço para outras questões.


Não são regras a ser seguidas, mas algo para suprimir as tendências egoístas para criar novos centros de experiencias. Deve ter isso em mete para não viver em sofrimento por não conseguir aplicá-los na vida ou até mesmo para não julgar as pessoas. O que vale é a observação constante e não a obediência cega.


"Quando estamos conscientes, intensamente em contato com o momento atual, aprofunda-se a nossa compreensão do que está acontecendo e começamos a ser preenchidos de aceitação, alegria, paz e amor." - Thich Nhat Hanh

AHIMSA, OU NÃO VIOLÊNCIA
É não ferir, tanto verbal quanto fisicamente qualquer ser vivo. Em nível mental, evitar até em pensamentos desejar o mal às outras pessoas. Estimula-se a compaixão por todas as criaturas. OMahabharata diz "Não faça aos outros o que, se fosse feito a você, lhe causaria dor" (essa máxima esta presente em quase todas as religiões). O mestre Yogananda diz "deve-se enxergar bondade até no inimigo" livrando-se assim do desejo de vingança. Dando ódio em troca de ódio só aumenta a hostilidade do inimigo a você. Gandhi foi um grande praticante de ahimsa, libertou a india utilizando a estratégia da não-violência, pregando a desobediência civil.

SATYA, OU VERDADE
Veracidade em pensamentos, palavras e ações. Deve-se evitar a falsidade tanto em relação a outras pessoas quanto consigo mesmo. Quando mentimos criamos mais conflitos nas relações. Muitos dizem que precisam mentir para não machucar os outros mas aos poucos, mudando nossos habitos percebemos que a verdade é uma feramenta que traz paz e alivio mental. Exemplo prático: Se mentir, terá de ficar construindo justificativa para manter sua mentira e não ser pego em contradição. Se falar a verdade, não precisará ocupar espaço mental com essa simulação. É algo a menos em que pensar, como manter a lixeira do computador limpa para não ocupar espaço e não comprometer processamento de programas mais nobres.

ASTEYA, OU NÃO ROUBAR
Não tomar o que não lhe pertence, não cobiçar ou invejar bens alheios. A intenção já traz perturbações mentais. Este conceito faz parte da idéia mais nobre dos fundamentos espirituais da Índia: o desapego. Para a Yoga, apegar-se a bens materiais - ou pior, os que não lhe pertence - além de imoral, criam distrações na mente que desviam o praticante de sua meta.

BRAHMACHARYA, OU CASTIDADE
Traduzido como "caminhar com Brahma", ou voto de castidade para toda a vida. Em importantes escrituras, brahmacharya é uma prática fundamental para o crescimento espiritual do praticante. Algumas linhas de Yoga consideram esse conceito como a não-perversão do sexo, ou seja, o sexo consciente, feito com amor. Controlar o sexo, e não suprimí-lo. Estímulos sexuais e sexo são absolutamente naturais e trazem ótimos resultados se encarado de forma sadia. O objetivo é evitar dispersões mentais, e não criar uma pureza aparente, ou negar a sexualidade. Como vivemos cercados por estimulos sexuais, para alcansar níveis mais elevados de consciência, não se deve deixar ser arrastado por esses estímulos. Perceber o tempo e a energia que desperdiçamos na devoção ao sexo, e o controle que ele causa em nossas mentes. Por isso alguns yogues optam pelo celibato, para aumentar seu potencial energético, um potencial em que se acredita ser inerente ao sêmen.

APARIGRAHA, OU NÃO COBIÇAR
Abandono do sentimento de posse, do desejo pela conquista e manutenção dos bens materiais. Desapego aos relacionamentos. O desejo é natural e faz parte da vida, o problema é condicionar a própria feclicidade à realização de um desejo. A forma como encaramos o desejo é que causa sofrimento. Tanto na Yoga como no budismo acredita-se na impermanência - nada existe para sempre. Nesse mundo em movimento, só permanece estável o que também se movimenta. O apego é o contrário disso, pois se fixa em algo que pode nos arrastar para fora da nossa atenção e do nosso propósito. Portanto apegar-se a um desejo é uma forma de causar sofrimento a si próprio.Patanjali confirma o que Buda ja afirmava à séculos "Tudo é sofrimento para o sábio."

2. Niyamas

Niyamas são orientações de conduta e disciplinas individuais. Têm como função o domínio sobre os 5 órgãos da percepção: olhos, ouvidos, nariz, lingua e pele.

SAUCHA, OU PUREZA
No plano físico é um corpo que recebe banhos diários, pratica asana e se nutre de alimentos puros. Segundo a tradição indiana, os melhores alimentos são aqueles equilibrados, como frutas, legumes, vegetais. cereais integrais e água mineral. O yogue deve evitar alimentos que estimulam a paixão como frituras, cebola e pimenta, e desaconselhavel ingestão de alimentos que provocam inércia como o álcool e carne.
Existem técnicas de purificação física chamadas kriya. Para limpar a lingua usa-se um raspador. Um jarro de água com sal despejado em uma narina para sair na outra é usado para desobstruir as fossas nasais. Para os intestinos e estômago usam-se lavagens, dietas e métodos mais radicas, em que o yogue engole uma longa tira de gaze, que depois é retirada aos poucos pela boca. As técnicas de asana e pranayama são suficientes para purificar o corpo físico. Porém, mais importante do que limpar o corpo físico é a limpeza da mente e de emoções perturbadoras, como ódio, paixão, ira, luxúria, cobiça, orgulho...


SAMTOSHA, OU CONTENTAMENTO
O contentamento é um estado de espírito interior de permanente alegria, independente das circunstâncias externas. É um estágio em que o yogue atinge a paz interior. O praticante não de abala pelos desejos ou outros estímulos que possam influenciar sua alegria. Os mestres costumam dizer: "Nunca deixe que a felicidade não dependa de você." Costumamos sofrer por não entender que as coisas são transitórias nesse mundo e somos apegados a elas. Mudando a forma de encarar a vida, o yogue compreende que não vale a pena sofrer. Existe uma máxima no budismo (que tem muitos pontos de contato com o yoga) que diz o seguinte: "Se um problema tem solução, não há motivo para se preocupar. Se o problema não tem solução, aí é que não há mesmo motivo pra se preocupar". Portanto, o caminho é samtosha, contentamento. ou como diria o poeta Oswald de Andrade, "a alegria é a prova dos nove".

TAPAS, OU AUSTERIDADE
É o esforço consciente desempenhado pelo yogue para lacançar a sua meta, a auto-realização. Consiste em transcender através da força de vontade, as limitações naturais. Quem pratica yoga sabe o quanto é difícil trilhar o caminho. Mas, com força de vontade, pode-se fazer coisas incríveis. Basta ver o exemplo de esportistas que batem recordes e quebram barreiras. Um praticante que tem o desejo verdadeiro de aumentar seu grau de consciencia pratica tapas. Para Patanjali, tapas purifica e fortalece o corpo, aguça os sentidos e conduz à perfeição.


Paramahansa Yogananda conta uma história para mostrar a força de tapas. Um sapo e uma rã passeavam perto de uma fazenda quando, num salto desastrado, cairam em um balde de leite. PAssaram horas tentando escapar, mas a boca do balde era escorregadia e alta. Exausto, o sapo desistiu e disse à rã que não adiantaria mais tentar sair, pois era impossível sair dali, iriam se afogar no leite e morrer. Pensando assim, o sapo se deixa afundar e morre. Mas a rã continua tentando escapar. Quando já está sem forças, acreditando que teria o mesmo destino do sacpo, percebe que há algo sólido sob suas patas. Para sua surpresa, todo seu esforço fizera com que parte do leite se trasformasse em mateiga. E ela consegue pular para fora e se salvar. Tapas é isso, força de vontade para transcender os próprios limites.

SVADHYAYA, OU ESTUDO DE SI MESMO
É a dedicação para entender a metafísica do yoga e de si mesmo. Não é apenas o autoconhecimento pela reflexão sobre as escrituras, mas também a aplicação prática desse conhecimento. O principal objeto de pesquisa é a realidade pessoal. Isso significa que devemos ter uma percepção mais aguçada sobre as coisas que nos trazem transtornosmentais e meditar sobre a nossa natureza. Não se trata de um mero aprendizado intelectual, mas de um recurso de meditaçãoi, um instrumento que complementa a prática espiritual. Quando ma aluna diz que acha ruim praticar meditação, pois começava a pensar besteiras, o professor explica "Você sempre pensou besteiras, mas nunca tinha para para refletir em quanta bobagem pensava."

ISHVARA PRANIDHANA
Significa entrega ao senhor, em que senhor é entendido como o modelo ideal a ser seguido pelo praticante. Essa entrega de que nos fala Patanjali implica na renúncia aos frutos das ações, pois cada ato passa a ser dedicado a uma vontade superior à sua própria. Para Patanjali essa prática é um potente método para dissolver as agitações da mente e chegar ao estado de unificação almejado pelo yoga. Muda a nossa perspectiva, retirando-a da obsessão do Eu. Nessa prática, saimos da estreiteza que é enxergarmos apenas o nosso nariz, como se fossemos uma entidade separada da nossa essência divina.

3. Asanas

Segundo os Sãstras do Yoga, existem 840,000 posturas, das quais 84 são importantes. Ãsana significa postura. Os ãsanas podem ser divididos em dois grupos principais: posturas meditativas e posturas culturais. Há quatro posturas meditativas: a postura de lótus, ou Padmãsana, Siddhãsana, Svastikãsana e Sukhãsana, ou a postura fácil e confortável Existe uma outra, conhecida como Varjrãsana, que pode ser praticada por pessoas que não podem utilizar nenhuma das outras posições.

"A fé é totalmente dispensável. Faça o exercício, comprove os exercícios e então acredite."
Kularnavatantra

 

Patanjali descreve asana desta forma: "a postura deve ser estável, firme e confortável." Aqui, ele se refere às posturas adequadas à meditação, nas quais o yogue pode dar firmeza e estabilidade ao corpo, reduzindo o esforço físico ao mínimo necessário. A postura de lótus, ou padmasana, em que o praticante fica sentado com as pernas cruzadas e a coluna ereta, é um exemplo. Há uma leve divergência a esse respeito, pois acreditam que os diferentes asanas servem como preparação para a postura de meditação. Outras afirmam que qualquer postura pode, com treino e força de vontade, ser adequada à meditação. Hoje difunde-se mais a idéia de que a prática torna possível o trabalho de tranquilizar a mente até mesmo em posturas aparentemente difíceis e desconfortáveis. Qual a razão de se exercitar em posturas mais complicadas? Elas fazem com que o praticante mergulhe em seu corpo e fique totalmente concentrado nele, o que já é um passo para a meditação. Lembre-se dos Upanishads "comece de onde você está" e do preceito de ahimsa "não violência tambem é respeitar seus próprios limites". Portanto, o asana deve proporcionar condições adequadas para que o yogue entre em estado meditativo.

No Ocidente, muitas vezes costuma-se entender o yoga como uma prática de exercícios, reduzindo o seu significado a um tipo de ginástica. Mas as posturas, criadas em tempos imemoriais, têm um valor muito maior do que se imagina. Na Idade Média, com o desenvolvimento das idéias do tantrismo, o corpo deixa de ser considerado um obstáculo para a evolução, como era visto pelas escolas espiritualistas, e passa a ser um instrumento de auto-realização.

Essa visão de mundo sensorial permitiu uma sistematização e o desenvolvimento dos asana em tratados que continuam evoluindo até hoje e que constituem a linha de Hatha Yoga. O que esse aprimoramento dos asana tem ver com a descrição de Patanjali? Eles buscam o mesmo objetivo. Como explica B.K.S. Iyengar, o asana é um instrumento para atingirmos um grau elevado de consciência pela "inibição das flutuações mentais". Segundo ele, para controlarmos a mente, primeiro precisamos ter o domínio do que é mais palpável, bruto, para atingirmos o que é mais util. Por isso, os yogues fazem asana, que proporciona flexibilidade, força e consciência corporal. Eles treinam o controle da respiração, que é ainda mais sutil, para conseguir alcançar a mente. Onde termina o corpo e onde começa a mente? E onde termina a mente e começa o espírito? Não podemos responder, mas Iyengar explica que corpo, mente e espírito estão inter-relacionados e são aspectos diferentes de uma única consciência. "O corpo não é um obstáculo para a sua libertação espiritual, nem a causa da sua queda, mas um instrumento de aperfeiçoamento", diz.

O surya namaskar, ou saudação ao sol, é a sequência de posturas mais mais conhecidas do yoga. Há algumas variações entre a tradição ou linhagem. Em todas elas, contudo, essa sequência é executada antes das demais asana, pela manhã ou no fim do dia. Fortalece o corpo, estimula as glândulas, aguça a mente e acalma os pensamentos.

Os asanas tornam o corpo do praticante forte e preparado para a disciplina espiritual Muitos ocidentais às vezes pensam que yoga relaxa, Na Índia, porém, não se costuma dizer que o yoga acalma, e sim fortacele. Ou que "acalma pelo fortalecimento", pois, para o hindu, o forte é geralmente sereno e tranquilo - ele não precisa se afirmar como aquele que se sente fraco. Ao trazer saúde para o corpo, o praticante adqquire longevidade e sente mais disposição para a vida espiritual.

 

Conta-se uma história de 2 trapaceiros. Eles combinaram um golpe no qual um deles ficava em postura fácil (sukasana) para atrair curiosos, enquanto o outro roubava-lhes as carteiras. Quando consegue juntar um bom dinheiro, o trambiqueiro pede ao amigo sentado em meditação, que se levante para irem embora. Este lhe responde: "Pode ir, pois já encontrei o tesouro que buscava".

4. Pranayama

O Pranayama é uma das práticas mais importantes em todas as formas de Yoga. Ao praticá-lo, o iogue é capaz de controlar o sistema nervoso e, dessa forma, obter controle gradual do Prâna, ou energia vital, e da mente.

Respirar significa viver, e viver significa respirar. Toda criatura viva depende da respiração, e interromper a respiração é interromper a própria vida. Desde o primeiro choro do bebê ao último suspiro de um motibundo não há nada além de uma série de respirações. Os iogues contam a vida não pelo número de anos, mas pelo número de respirações. Constantemente gastamos nossa força vital, ou energia prânic, com nossos pensamentos, nossa vontade, açoes, etc. Todo pensamento, todo ato de vontade ou movimento dos músculos consome essa força vital e, consequentemente, é necessário um reabastecimento constante, que é possível principalmente através da respiração.

 

Assim como o oxigênio é carregado pela corrente sanguínea para todas as partes do corpo, reconstruindo-o e reabastecendo-o, o Prãna é também carregado para todas as partes do sistema nervoso. Sabendo que os iogues obtêm a maior parte de sua energia do ar, então a importância de uma respiração adequada é compreendida facilmente. Qualquer um que pratique a respiração regular e sistematicamente pode sentir em seu próprio corpo esse grande efeito de absorção do Prãna.

 

Quando inspiramos, estamos recebendo prãna e armazenando em vários centros nervosos, especialmente no plexo solar. Quanto mais Prãna pudermos receber, mais vitalidade teremos. Na prática do prãnãyãma, a mente desempenha um grande papel, e é importante observar concientemente tudo que ocorre durante o fenômeno da respiração.

No ocidente, há numerosas escolas nas quais se ensina a respiração correta para a saúde física. Até mesmo as mulheres grávidas aprendem certos tipos de exercícios de respiração que se parecem com a respiração iogue para o parto natural sem dor. Durante o nascimento da criança, com cada contração a mae respira rapidamente em sucessões rápidas e retém a respiração. Assim, o ato de respirar alivia a dor e a criança nasce de forma natural enquanto a mãe está consciente de cada processo da ação da natureza de trazer seu filho ao mundo.

 

Os iogues declaram que o hábito correto da respiração, junto a uma dieta natural, regeneraria a raça, e as doenças modernas do homem civilizado, tais como pressão sanguínea, doenças do coração, asma, tuberculose, etc. seriam apenas nomes médicos no dicionário. Além dos benefícios físicos obtidos pela respiração, as técnicas de Yoga mostram também que, com o Prãnãyãma, a força de vontade, o autocontrole, a capacidade de concentração, as qualificações morais e até mesmo a evolução espiritual do homem podem ser aumentados.

5. Pratyahara

Controle dos sentidos para acalmar a mente. O praticante recolhe os seus sentidos para mergulhar na consciência interior. O pratyahara é uma espécie de passagem dos aspectos externos do yoga (yama, niyama,asana e pranayama) para os internos (dharana, dhyana e samadhi). Sua realização é fundamental para que o praticante possa alcançar a meditação, pois, nesse ponto, deve-se perder a noção do corpo físico e do mundo externo. No Mahabharata compara-se o pratyahara a uma tartaruga: "Assim como a tartaruga recolhe os seus membros sob a carapaça, da mesma forma o yogue retrai os sentidos da influência dos objetos externos".

 

Existem 4 formas de pratyahara que possuem métodos específicos:

CONTROLE DA ENERGIA
O controle dos sentidos inclui o controle da energia vital, o prana. Por isso o pranayama é a preparação para o pratyahara.

CONTROLE DOS SENTIDOS
É a parte mais importante do pratyahara, pois estamos tão acostumados a atividades sensoriais que geralmente não conseguimos manter o mínimo controle da mente. É um treino em que conseguimos nos desligar dos nossos sentidos.

CONTROLE DA AÇÃO
Não podemos controlar os órgãos dos sentidos sem aprender a controlar antes os órgãos motores. Para nos desligarmos do mundo exterior, é preciso controlar o movimento do corpo, dos pés, das mãos, da língua.

CONTROLE DA MENTE
A mente é responsável pelo controle dos órgãos do sentido e dos órgãos motores, mas sua atenção é limitada e seletiva. Pratyahara equivale a um estado de consciência em que a mente não é permeável a influências objetivas, supõe sibjetividade completa e fechada.

6. Dharana

Concentração. É a fixação da atenção em um objeto, que pode ser concreto ou abstrato, de moso que a atenção fique completamente voltada para ele, propiciando as condições para realizar o processo meditativo. É a continuação da inibição sensorial, na qual a concentração significa a contenção da mente em um estado de imobilidade. A concentração pode ter um suporte, como um mantra, um som, uma palavra ou uma imagem. O importante é manter a mente focalizada no objeto. Sabemos o quanto é dificil nos concentrarmos por um longo tempo em alguma coisa, pois, a todo momento, os nossos sentidos são bombardeados de informações. Com o treino, a mente começa a ficar menos dispersiva e cada vez mais preparada para a meditação.

7. Dhyana

Estado acima de dharana, em que a mente ainda luta para se concentrar em apenas um objeto. Em dhyana, a dispersão mental foi vencida e a fixação no objeto é total, preenche todo o espaço da consciência. Nesse estado não se perde a lucidez e tem-se a impressão de que estamos ainda mais despertos embora a consciência do mundo externo seja nula. A meditação é um método de concentração em cada vez menos coisas, se forma a esvaziar a mente sem perder o estado de alerta. O processo meditativo é o objetivo de todo sistema de práticas do yoga. É interessante notar que, da sua fonte indiana, a meditação expandiu-se especificamente para tradições como o budismo chinês, que traduz a palavra dhyana para ch´an e, mais tarde, para o Japão, onde firmou-se com a tradição do zen.

O yoga propõe niyamas como uma disciplina para obtermos domínio sobre os 5 órgãos da percepção. É interessante notar que o controle desses cinco sentidos é colocado a serviço de um sexto sentido. E aqui não estamos falando de nada sobrenatural, premonitório, "mágico", mas sim de um sentido natural, com possibilidades, limitações e sujeito a ilusões, como os cinco demais. Esse sentido, que nós, ocidentais, nunca incluimos em nossa lista é a mente. Perceber a mente como um de nossos sentidos naturais é um dos caminhos para compreender melhor as concepções de mundo de muitas traduções orientais. Primeiro porque, ao percebê-la como uma função, a exemplo do olfato ou da visão, torna-se mais fácil dissociar o nosso Eu da nossa mente. Simplifica-se a questão do Eu com a seguinte imagem: "Eu não sou a minha mente, mas algo que observa a minha mente". A mente é algo que podemos observar, como podemos observar nosso tato ou audição. Esse é um conceito básico para obter proveito das práticas meditativas. Também é fundamental reconhecer o caráter dinâmico do nosso conteúdo mental. A Baghavad Gita diz que dominar a mente é mais difícil do que controlar o vento. O grande yogue Vivekananda a compara com um macaco louco, bêbado, com fogo no rabo, que foi picado por um escorpião.

Então é impossível dominá-la? Não, é apenas difícil. Mas não impossível. Talvez a maior mensagem do yoga, tanto do hinduismo quanto do budismo, seja justamente esta: dizer-nos que a mente é plástica, que pode ser transformada. Que não tem esse de "está escrito", que sempre é possível mudar e que, até no campo mental, temos o mundo nas mãos. Nossa mente tem uma topografia que foi sendo construída pelas nossas experiências. Meditar, num certo sentido, é não só explorar essa topografia, mas ir além dela, com a meta de encontrar a sua natureza luminosa.

Uma das metáforas mais frequentes para explicar o funcionamento da mente é a história da carruagem citada em várias fontes, como o Khata Upanishads. Nessa carruagem, o dono é o Si mesmo, uma instância que está além do ego. A carruagem é o corpo, veículo de emoções e transformações da matéria. O cocheiro é a inteligência luminosa e intuitiva. As rédeas são a mente discursiva e lógica, que compara e estabelece juízos - a qual escutamos frequentemente. Os cavalos são os sentidos, sempre prontos para sair da estrada e vagar pelas pastagens que atraírem sua atenção.

A meditação é um estado de pensamento puro e absorção no objeto de meditação. Ainda há dualidade na Dhyana. Quando aperfeiçoado, Dhyana leva ao último passo.

8. Samadhi

Estado de supra consciência. Em Samadhi se experimenta a não-dualidade ou unidade. Este é o estado de consciência mais profundo e mais elevado, onde o corpo e a mente foram superados e o Yogui é um com o Ser ou Deus.

É o objetivo final do yoga, quando o praticante mergulha nas camadas mais profundas da consciência. Os mestres dizem que a mente não consegue encontrar palavras para descrever esse estado e que, por isso, a melhor forma de explicá-lo é o silêncio. Muitas pessoas no Ocidente, quando estudam a filosofia yogue, têm o desejo de alcançar esse estado. Mas, quase sempre, esperam que ele caia do céu, pois não modificam suas atitudes na vida. Yoga é, antes de tudo, transformação. Todos esses estágios descritos por Patanjali servem para ajudar o praticante a alcançar maior consciência. Os professores costumam dizer: "Esses ensinamentos ajudam a subir a escada da auto-realização, no fim da qual há uma porta que somente o praticante poderá abrir."

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