OS CINCO PRINCÍPIOS DO YOGA

O Yogi imagina a vida como um triângulo - o corpo físico passa pelas seguintes etapas: o nascimento, o crescimento, a maturidade, a velhice e a morte. A etapa de crescimento culmina mais ou menos entre os dezoito e vinte anos. Nos primeiros anos de vida, na juventude, o rejuvenescimento celular (processo anabólico) é maior que o envelhecimento (processo catabólico). Em uma pessoa normal, o corpo mantém o equilíbrio deste processo desde os vinte até os trinta e cinco anos. A partir daí começa o declínio, ou processo catabólico. Este desemboca na velhice, que surge acompanhada de enfermidades e indignação. Os yoguis dizem que não nascemos somente para estarmos sujeitos a dor, ao sofrimento, ao declínio e a morte. Existe um motivo muito mais importante para vivermos, mas para descobrí-lo se requer uma aguda inteligência e uma força de vontade muito firme. 

Para isso necessitamos manter um corpo e uma mente saudáveis. Com esta finalidade os sábios da antiguidade desenvolveram um sistema integral capaz de retardar o envelhecimento ou processo catabólico e manter as faculdades físicas e mentais em perfeito estado. Este sistema é o Yoga, um programa fácil e natural que contém cinco princípios fundamentais:

 

  1. Exercício adequado: Asanas

  2. Respiração adequada: Pranayama

  3. Relaxamento adequado: Savasana

  4. Dieta adequada: vegetariana

  5. Pensamento positivo e Meditação: Vedanta e Dhyana

1. Exercício adequado: ASANAS

 

Existem muitos sistemas modernos destinados a desenvolver os músculos através de movimentos mecânicos e exercícios. Yoga vê o corpo como um veículo para a alma em sua jornada para a perfeição, os exercícios físicos do yoga são concebidos não só para desenvolver o corpo também ajuda nas capacidades mentais e espirituais.

Os exercícios físicos do yoga são chamados de Asanas, um termo que significa uma postura fixa. Isso ocorre pois o Asana (ou postura) deve ser mantida por algum tempo. De qualquer forma isso já é parte de uma prática avançada. Inicialmente, estamos interessados em aumentar a flexibilidade do corpo.

O corpo é tão jovem quanto flexível. Exercícios de yoga enfatizam a saúde da coluna vertebral, a sua força e flexibilidade. A coluna vertebral abriga o sistema nervoso, que é o sistema de telégrafo do corpo. Mantendo a sua coluna forte e flexível com o exercício, há o aumento da circulação e os nervos são assegurados do seu fornecimento de nutrientes e oxigênio.

Os Asanas também afetam órgãos internos e o sistema endócrino (glândulas e hormônios).

Tradicionalmente, os Yogis praticam Surya Namaskar, a saudação ao sol, antes da sessão de asanas. Embora existam muitos Asanas (8.400.000, segundo as Escrituras) a prática das 12 posturas básicas contém a essência e todos os grandes benefícios deste sistema maravilhoso.

As 12 posturas básicas são:

  1. Invertida sobre a cabeça (Sirshasana)

  2. Invertida sobre os ombros (Sarvangasana)

  3. O Arado (Halasana)

  4. O peixe (Matsyasana)

  5. A pinça (Paschimothanasana)

  6. A Cobra (Bhujangasana)

  7. O Gafanhoto (Shalabhasana)

  8. O Arco (Dhanurasana)

  9. Torção da coluna (Ardha Matsyendrasana)

  10. O Corvo(Kakasana) e Pavão (Mayurasana)

  11. Pinça vertical (Pada Hasthasana)

  12. O Triângulo (Trikonasana)

2. respiração adequada: PRANAYAMA

A maioria das pessoas usa apenas uma fração de sua capacidade pulmonar para a respiração. Respirarm superficialmente, apenas expandindo a caixa torácica. Seus ombros estão curvados, eles têm a tensão dolorosa na parte superior das costas e pescoço, e sofrem de falta de oxigênio. Eles devem aprender a respiração Yoguica completa.

Normalmente existem três diferentes tipos de respiração:

  1. Respiração clavicular é a mais superficial e o pior tipo possível . Durante a inalação, ombros e clavícula são elevados enquanto o abdômen se contrai. Realizamos um esforço máximo, mas uma mínima quantidade de ar é obtida.

  2. Respiração torácica é feita com os músculos intercostais, expandindo o tórax, e é o segundo tipo de respiração incompleta.

  3. respiração abdominal profunda é a melhor, pois ela traz o ar da parte mais baixa até a mais alta dos pulmões. A respiração é lenta e profunda, efetuando o uso adequado do diafragma.

Na verdade, nenhum desses tipos é completo. A respiração yoguica completa combina os três, começando com uma respiração profunda e contínuando a inalação através das áreas intercostal e clavicular.

Aprendendo a respiração abdominal

Para sentir o que é uma respiração adequada do diafragma, vista roupas soltas e deite de costas. Coloque uma mão sobre o abdômen na altura do diafragma. Inspire e expire lentamente. O abdômen deve expandir quando você inala e contrair com a expiração. Tente tornar-se consciente e compenetrar-se neste movimento.

Aprendizagem da respiração yoguica completa

Uma vez que você se sente suficientemente qualificado para a prática da respiração abdominal, vai ser capaz de aprender a respiração yoguica completa. Inspire lentamente, expanda o abdômen, depois o peito e, finalmente, a parte superior do tórax. Então permita que o ar saia da mesma forma, deixando que o abdômen contraia enquanto ocorre a exalação. Esta é a respiração yoguica completa.

Pranayama

A questão mais importante para uma boa respiração é o Prana, ou energia sutil do fôlego da vida. O controle do Prana leva ao controle da mente. Exercícios de respiração são chamados pranayama, que literalmente significa “controlar o Prana.”

Os dois principais Pranayamas ensinados são Kapalabhati e Anuloma Viloma.

3. Relaxamento adequado: SAVASANA

Quando o corpo e a mente trabalham constantemente de forma excessiva, diminui sua eficácia natural para fazê-lo. A vida social moderna, a comida, o trabalho e até mesmo os chamados “entretenimentos”, tais como dançar, fazem o relaxamento ser difícil para as pessoas na atualidade. Muitos, até mesmo esqueceram que o descanso e o relaxamento, são formas naturais para repor energia. Geralmente as pessoas gastam muita energia física e mental tentando até mesmo descansar, devido ao estresse. Grande quantidade de vigor do corpo é consumido desnecessariamente.

Grande parte da nossa energia é usada mais para manter os músculos constantemente prontos para o trabalho, que no trabalho útil realizado. A fim de regular e equilibrar o funcionamento corpo e da mente, o melhor é aprender a economizar a energia produzida pelo organismo. Isto pode ser feito, aprendendo a relaxar.

Lembre-se que no decorrer de um dia, o nosso corpo produz todas as substâncias e energias necessárias para o dia seguinte. Mas muitas vezes acontece que todas estas energias podem ser consumidas em poucos minutos, pelo mau humor, raiva, insultos, ou irritação intensa. O processo de erupção e repressão de emoções violentas, muitas vezes se transforma em um padrão. O resultado é desastroso, não só o corpo mas também para a mente.

Para o relaxamento completo, quase nenhuma energia é consumida, o “Prana” ainda se conserva um pouco para manter o corpo em estado normal, enquanto o restante é armazenado e acumulado.

Para alcançar o relaxamento perfeito, os yogis utilizam de três maneiras:

Relaxamento, “Físico”, “Mental” e “Espiritual”. O Relaxamento não está completo até que se tenha alcançado um estado de relaxamento espiritual, que somente conhece o aspirante espiritual experiente.

Relaxamento Físico

Sabemos que toda ação é resultado de um pensamento. Os pensamentos tomam forma na ação, o corpo incorpora o pensamento. Assim como a mente pode enviar uma mensagem para os músculos, dizendo-lhes para que se contraiam, também pode enviar outra mensagem, trazendo relaxamento para os músculos cansados.

O relaxamento físico começa pelos pé e se move para cima. A autosugestão passa através dos músculos em movimento ascendente, atingindo os olhos e ouvidos. Então, lentamente, as mensagens são enviadas para os rins, fígado e outros órgãos internos. Esta posição relaxada é conhecida como “Savasana”, ou” postura do cadáver.

Relaxamento Mental

Ao experimentar tensão mental, você deve respirar lenta e ritmicamente por alguns minutos. A mente se acalma logo. Você sente como se estivesse flutuando.

Relaxamento Espiritual

No entanto, mesmo buscando relaxar a mente, todas as tensões e preocupações não podem ser eliminadas completamente, a menos que se experimente o relaxamento espiritual.

Durante o tempo em que uma pessoa estiver identificada com o corpo e a mente, haverão preocupações, ansiedades, medo e raiva. Estas emoções, por sua vez, criam tensão. Os Yogis sabem que, a menos que uma pessoa possa afastar-se da ideia de corpo-mente, e separar a consciência do ego, não há maneira de conseguir um relaxamento completo.

O yogui se identifica com a bem aventurança do Ser interno que permeia tudo o que é poderoso, toda a paz, ou pura consciência interior. O yogui sabe que a fonte de todo poder, conhecimento, paz e força, é o Ser, não o corpo físico. Sintonizamos com ele, afirmando a verdadeira natureza, isto é: “Eu sou a consciência pura, o Ser” . Essa identificação com o Ser completa o processo de relaxamento.

4. Dieta adequada: VEGETARIANA

A dieta yoguica é vegetariana, consistindo-se de alimentos puros, simples e naturais, que são facilmente digeridos e promovem a saúde. Refeições simples ajudam a digestão e a assimilar os alimentos. Exigências nutricionais são classificadas em cinco categorias: proteínas, carboidratos, minerais, gorduras e vitaminas. É preciso ter algum conhecimento sobre nutrição para ajudar a equilibrar a dieta. Comer alimentos frescos, recém-colhidos da natureza, cultivados em solo fértil (de preferência orgânicos, livres de produtos químicos e pesticidas), nos ajuda a ter uma melhor oferta dessas necessidades nutricionais. O processamento, refino e cozimento excessivo destrói a maior parte do valor dos alimentos.

Há um ciclo na natureza conhecido como “ciclo alimentar” ou “cadeia alimentar”. O sol é a fonte de energia para toda a vida em nosso planeta, nutre as plantas (o topo da cadeia alimentar), que são comidas pelos animais (vegetarianos), que são comidos por outros animais (carnívoros). Alimentos que estão no topo da cadeia alimentar, sendo diretamente alimentados pelo sol, têm as maiores propriedades para  promover a vida. O valor nutricional da carne como fonte nutritiva é conhecido como de ” segunda mão” e é inferior na natureza. Todos os alimentos naturais (frutas, vegetais, sementes, frutas oleaginosas e grãos) têm, em diferentes proporções, esses nutrientes essenciais. Como fonte de proteína são facilmente assimilados pelo organismo. Entretanto, os alimentos de “segunda mão” são mais difíceis de digerir e são de menor valor para o metabolismo do corpo.

Muitas pessoas se preocupam se estão recebendo quantidade suficiente de proteína, mas negligênciam outros fatores. A qualidade da proteína é mais importante que a quantidade em si. Lacticínios, leguminosas, frutas oleaginosas e sementes fornecem ao vegetariano a ingestão adequada de proteínas. O índice alto de exigência proteica que ainda são usados em muitos departamentos de saúde estão baseados em dados antigos e foram reprovados várias vezes em laboratório.

Uma máxima da saúde é: “Comer para viver, não viver para comer.” O melhor é se entendermos que o propósito de comer é fornecer ao nosso organismo força vital ou Prana, a energia vital para a vida. Portanto, o melhor plano nutricional para um estudante de Yoga é a dieta simples com alimentos naturais e frescos.

No entanto, a verdadeira dieta Yoguica é ainda mais seletiva do que isso. O Yogui está preocupado com o efeito sutil que o alimento tem na sua mente e no corpo astral. Portanto, evita alimentos que são mais estimulantes, preferindo aqueles que deixam a mente calma e intelecto aguçado, atento. Quem segue o caminho do Yoga a sério, evita a ingestão de carne, peixe, ovos, cebola, alho, café, chá (exceto de ervas), álcool e drogas.

Qualquer mudança na dieta deve ser gradual. Começa progressivamente substituindo  por grandes porções de legumes, grãos, sementes e nozes frutas oleaginosas até que finalmente todos os produtos de carne são retirados da dieta.

A dieta do Yoga vai ajudá-lo a alcançar um maior nível de saúde e serenidade mental. Para realmente entender o enfoque do Yoga para a dieta, a pessoa deve se familiarizar com o conceito de três Gunas ou qualidades da natureza.

5. Pensamento positivo e meditação: Vedanta e Dhyana

Quando a superfície de um lago está calma, se pode ver o fundo nitidamente. Isto é impossível quando a superfície esta agitada pelas ondas. Da mesma maneira, quando a mente esta calma, sem pensamentos, nem desejos, podes ver o “ser,” a isto se chama “Yoga”.

Podemos controlar a agitação da mente de duas maneiras: concentrando a mente no externo ou no interno. Internamente, focamos no “Ser” ou na consciência do “Eu sou”. Externamente focamos em qualquer outra coisa que não seja no “Ser” ou no “Eu sou.”

Quando temos um tempo para jogar golfe, os demais pensamentos se apagam ou se aquietam. Sentimos que jogamos uma boa partida quando alcançamos uma perfeita concentração. A felicidade que experimentamos não aparece por ter colocado a bola no buraco 18 vezes, mas sim por haver conseguido 18 vezes de alcançar uma perfeita concentração. Neste momento, todas as preocupações e problemas do mundo desaparecem.

A habilidade para concentrar-se está em todos nós, não é nada extraordinário, nem misterioso. A meditação não é algo que um Yogui tenha que nos ensinar, somos portadores da habilidade de silenciar os pensamentos.

A única diferença entre concentração e meditação (em forma positiva), é que geralmente aprendemos a concentrar a mente para o externo, objetos. Quando a mente esta completamente concentrada, o tempo passa sem notarmos, como se não existisse. Quando a mente esta concentrada, já não há tempo! O tempo não é mais que uma modificação da mente. O tempo, o espaço, a casualidade e todas as experiências externas são criações mentais.

Toda a felicidade que se ganha através da mente é temporária e efêmera, está limitada pelo natural. Para alcançar um estado de felicidade duradoura e paz absoluta, primeiro devemos conhecer como acalmar a mente, concentrarmos e ir mais além da mente. Levando a concentração mental até o interior, até o ser, podemos aprofundar a experiência da concentração perfeita. Este é o estado da meditação.

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